De que o mundo corporativo está se esbaldando na agilidade acho que agora ninguém mais duvida. Estamos na crista da onda na curva de adoção. Os pragmáticos perceberam que ser ágil significa entregar valor e alcançar sucesso com seu negócio e há um investimento pesado do mercado na agilidade.

Gráfico do livro Crossing the chasm que representa um curva normal separada em 5 pontos.

Tudo muito bonito até aí, mas tem uma galera que está ficando perdida com toda essa mudança (e com razão): os gestores!

Quando falamos de agilidade, nosso primeiro impulso é de montar um time, rodar ciclos de aprendizado (seja com ou sem sprints explícitas), definir os papéis de quem está criando o produto, ou executando o serviço… E frequentemente deixamos para trás o papel do gestor nisso tudo. O chão começa a mexer debaixo dos pés dele e ele escuta “você não pode microgerenciar o time!”; “não é você que tem que dar feedback, e sim a pessoa que está com o problema”; “o time é auto-organizado”.

E, com isso, a gente negligencia o importantíssimo papel do gestor em uma transformação ágil.

*rufem os tambores*

O papel do gestor em um time ágil é – pasmem – ser um líder servidor, encontrar formas de desenvolver pessoas e fomentar a cultura da agilidade na sua equipe e organização.

Mas este não é o papel do Scrum Master (S.M.), Andressa?

É aí que a realidade aparece e nos dá um chute no traseiro. Sim, este é o papel do SM em um Time Scrum. No entanto, no mundo real, temos algumas questões a considerar:

  • Nem todos os times trabalham com Scrum
  • Mesmo que trabalhem, nem todo time tem um Scrum Master preparado para fazer isso em toda a organização
  • Mesmo que tenha, nem sempre a organização está em um nível de maturidade necessário para que o SM sozinho consiga movimentar todos os moinhos
  • Mesmo que esteja, o pobre do SM pode não dar conta de desenvolver todo mundo, coitado.
  • Há organizações que não necessariamente vão caminhar para uma estrutura 100% horizontal. E tudo bem. Neste caso, o papel do gestor é justamente este de ser o “óleo” que faz as engrenagens do sistema rodarem mais liso.

Beleza. Se este é o seu caso, olha só que legal! Temos uma série de dicas marotas para você!

1- Trabalhando a cultura

Isso precisa vir antes de todo o resto, minha gente. Não adianta ter mil técnicas no cinto de utilidade do Batman se você não domina o motivo pelo qual você precisa fazer aquilo tudo. E tem uma bela armadilha aí. É comum acharmos que cultura é que nem batata: você larga ela na terra e ela brota.
Na verdade, para fomentar cultura, a gente tem que estudar muito! Tem vários aspectos de inovação cultural, pesquisas sobre comportamento humano e psicologia que o gestor precisa conhecer para começar a mexer nas alavancas culturais da sua equipe. Para isso, temos algumas recomendações:

  • Líderes se servem por último: para que você entenda melhor sobre como criar ambientes seguros para errar, como as relações entre as pessoas têm um efeito químico no indivíduo e como usar isso para desenvolver seu time.
  • 5 dysfunctions of a team (que em português tem a triste tradução de 5 desafios das equipes): esse é obrigatório, já que até hoje eu não achei um único ambiente onde essa técnica não se encaixasse. Você vai compreender as 5 disfunções que um time apresenta e como atuar em cada uma delas para que seu time saia de um estado de baixa colaboração e confronto para um estado de alta performance.
  • Nosso curso de Facilitação para você fazer as interações da sua equipe se tornarem mais produtivas (e divertidas também!)

2- Feedback e gestão de pessoas

Você não deixou de ser um gestor, certo? Para atuar da melhor forma como gestor de um time ágil, é imprescindível que você seja um ás do feedback, inclusive ensinando a outras pessoas essa difícil arte. É impossível ajudar um time a se auto-gerenciar e evoluir se eles não conseguirem gerar melhoria contínua e se não sabem como traçar um caminho para a evolução.

  • Drive: Clássico na gestão de pessoas dentro do meio de agilidade, trata da teoria das motivações e nos ajuda a entender como engajar trabalhadores do conhecimento a entregar valor e evoluir como profissionais.
  • Comunicação Não Violenta: uma de várias opções para aprender a dar feedback, mas a minha favorita, pois se aplica a todos os aspectos da vida.
  • Nosso curso de Management 3.0, que tem como objetivo preparar o gestor para atuar neste novo cenário de times ágeis, trabalhadores do conhecimento e autogestão.
  • Nosso Curso de Gestão de Conflitos.

3- Métricas, métricas, métricas

Tio Peter Drucker já dizia que a gente não gerencia aquilo que a gente não mede. Vira e mexe eu tenho a sensação que as pessoas acham que ágil é bagunça, mas se você é ágil #raiz, você sabe que você nunca mediu tanto na sua vida!!!

  • Measure What Matters: livro que conta algumas histórias sobre como implementar OKRs (Objectives and Key Results) para alcançar resultados incríveis. Esta é uma ferramenta mágica que, se bem aplicada, faz com que toda a organização se una na direção de alcançar seus objetivos. O Google e a Intel concordam. Nós inclusive oferecemos um workshop in company para ajudar a fazer a mágica acontecer.
  • Lean Analytics: este é pra entender o que diabos temos de métricas de negócios que podemos usar a nosso favor para garantir que estamos andando na direção certa.
  • Nosso curso de Métricas Ágeis: um intensivão para saber o que medir e como medir se você tem um (ou mais) time(s) trabalhando com agilidade. Falamos de métricas de eficiência e de eficácia, oferecendo uma bússola para você entender como melhorar o time, o trabalho e o produto/serviço que você gera.

 

É claro que essa lista é só um começo. Mas se este começo for suficiente para que você, que é gestor, entenda o impacto positivo que você pode ter no seu time e na sua organização, nossa missão está cumprida!

E aí, curtiu? Tem mais dicas? Dúvidas? Deixa um comentário aqui!