Métricas – Como medir a agilidade do seu time

Um time que busca a melhoria contínua precisa basear-se em alguns dados além de resultados. Quando um time usa métricas em benefício próprio, sem o intuito de moldar comportamentos, ele consegue evoluir. Sobre o uso de métricas, o pensamento precisa ser assim: se não medimos, não sabemos onde estamos. Se medimos errado, acreditamos estar em um lugar, quando, na verdade, estamos em outro. Se a métrica é irrelevante não faz sentido medir.

Cuidado: como métricas podem moldar o comportamento de um time?
Se você medir apenas a velocidade de entrega do produto, então poderá ter como resultado um time muito eficiente, porém com um produto de qualidade ruim. É como se o time fosse uma criança que ficou valente após ver a água ser sugada para o mar, mas, mesmo assim, saiu correndo em direção a ela. Em breve, a água voltará muito mais forte como uma onda e ela levará um caldo daqueles. Assim, acontece com os bugs (erros). Eles surgem como uma onda e dão um verdadeiro susto no time. Por outro lado, ter um time eficiente e com qualidade, mas que faz a entrega de um produto sem valor, é como afundar no Titanic ao som de violino e saboreando um chá inglês. Então, em um cenário assim, surge uma dúvida: o que devemos medir?

Em 2014, o sócio-fundador da K21 Rodrigo de Toledo escreveu o artigo Até onde vai a agilidade? . Nele, foram apresentados os quatro Domínios da Agilidade (Negócio, Organização, Técnico e Cultural) e como nós podemos usá-los para realizar a análise de times e empresas, além de definir quais são os próximos passos da Transformação Digital. Além disso, podemos usar os quatro domínios para mantermos o balanceamento das métricas em que um Time Ágil deve estar sempre de olho.

Exemplo de Métricas nos 4 Áreas do Domínio das Métricas Ágeis

Exemplo de Métricas nos 4 Áreas do Domínio das Métricas Ágeis

Eficácia (Negócio)

Nesse domínio, as métricas estão ligadas diretamente aos problemas do negócio. Se o time é criado para resolver problemas, essas métricas traduzem para números o propósito do Time Ágil e medem a eficácia da solução que está sendo construída.

Em Métodos Ágeis os requisitos do produto normalmente descritos no formato de História do Usuário não devem ser tratados como certezas absolutas que temos sobre a solução que estamos desenvolvendo. Na verdade, os requisitos são apenas hipóteses que podem ou não resolver o problema. A cada lançamento do produto devemos avaliar a eficácia da entrega. Caso você use o formato de História de Usuário, essas métricas ajudam a medir se o Para foi alcançado.

História do Usuário

Eu enquanto <persona/usuário real>
Desejo <funcionalidade, hipótese de solução do problema>
Para <problema a ser resolvido>

Exemplo: Eu, cliente regular do site X, desejo uma lista de recomendações de livros para facilitar o meu processo de escolha.

Podemos dizer que a funcionalidade foi eficaz se ela aumentou a quantidade de vendas dos livros que estavam na lista de recomendações dos clientes regulares do site. Objectives and Key Results (OKR) é uma boa técnica para definir não apenas a métrica, mas também o alvo que queremos atingir. Leia também o artigo do Agile Coach da K21 Magno de Santana para saber como escolher essas métricas.
Exemplos: Atendimento, Comportamento do Usuário, Churn, Crescimento no Mercado, Custo de Aquisição, Custo do Atraso (Cost of Delay), Custo de Operação, Faturamento, Fatia do Mercado, Fatia dos Canais de Contato, Fitness For Purpose Score (F4P), Lifetime Value (LTV), Payback, Métricas do Pirata (Aquisição, Ativação, Retenção, Receita e Referência), Net Promoter Score (NPS), Retorno sobre o Investimento (RoI), Sentimento Social, Usuários ativos, Vendas, etc.

Eficiência (Organizacional)

As métricas do domínio Eficiência estão ligadas à performance do trabalho do time em relação à entrega do produto. Elas servem para dar previsibilidade ao trabalho, evidenciar gargalos do processo e auxiliar práticas de colaboração internas e externas ao time. Métricas Kanban costumam prover bons indícios de eficiência. Essas métricas podem ser obtidas por meio da análise das Histórias do Usuário, que são mapeadas por grau de importância em um determinado quadro de atividades (Quadro Kanban, Quadro Scrum, Task Board, Quadro do Time, como você preferir chamá-lo).
Exemplos: Lead Time, Tempos de Ciclo, Tempo de Execução (Touch Time), Tempo de Espera (Waiting Time), Trabalho em Andamento (Work in Progress, WIP), Vazão.

Qualidade (Técnica)

Essas métricas medem a qualidade técnica do produto que está sendo construído e indicam o valor das dívidas técnicas que criamos ao longo do desenvolvimento.

Exemplos:
A qualidade técnica de um produto pode ser mensurada por meio de:
– Falhas – a quantidade de
 falhas (bugs) e a quantidade de usuários afetados por elas;
– Código – se o software tem cobertura de testes automatizados, qual é a complexidade do código-fonte ou a duplicação deste código;
– Performance e segurança, isto é, pela carga de acesso ao sistema, pela quantidade de invasões e de usuários simultâneos, além do consumo de CPU, memória e HD.

Atmosfera (Cultural)

Nesse domínio, as métricas medem o quão satisfeito os participantes estão para trabalhar naquele time ou organização. O número medido é subjetivo e serve apenas para o próprio time. Não é possível usá-lo para nenhum tipo de comparação entre equipes. As métricas são tão particulares que a troca de participantes provavelmente irá alterá-las para o bem ou para o mal. Em alguns casos, utilizamos o Hapiness Radar para avaliar alguns aspectos importantes do time, tais como, os processos, as ferramentas e as práticas usadas no trabalho, no relacionamento com os colegas, na satisfação pessoal de pertencer ao time, na satisfação em realizar o trabalho e etc. Outra técnica interessante é o Squad Health Check Model, usada pela Spotify. Existem outras técnicas como o NPS do Time, Ações para o Caminho do Nirvana, entre outras.

Conclusão

No texto, nós temos vários exemplos de métricas para cada um dos quadrantes (domínios) e o balanceamento entre eles deve ser visto como vital. Todavia, pense muito bem quais delas você quer manter em cada área. Se o time olha para muita coisa, ele não prestará atenção em nada. Escolha apenas a quantidade suficiente para que o time não fique perdido. As métricas devem ser poucas, simples de medir, fáceis de compreender, relevantes para o caminho que o time está buscando e elas devem poder ser influenciadas pelo trabalho do time.

Gostou do tema?

Se você quer desbravar esse mundo e se aprofundar nas métricas, temos uma dica: confira os nossos treinamentos 😉

Veja outros posts relacionados ao assunto no nosso blog:

Por |2018-09-16T18:13:14+00:0010 de novembro, 2017|Cultural, Desenvolvedor, Gestão, Negócio, Organizacional, Product Owner, Scrum Master, Técnico|

Sobre o Autor:

Eu sou um desenvolvedor de software que passou por todas as etapas de TI. Comecei em 1998 com a manutenção de microcomputadores. Em 2000, tornei-me um programador e, desde então, desempenhei o papel de desenvolvedor, analista de sistemas, gerente de projeto, Scrum Master, Product Owner, gerente funcional e Agile Coach. Também vivi diversos modelos de desenvolvimento de software. Comecei com o cascata (programadores e analistas em salas separadas), participei de dois times de implantação de RUP, um de implantação de CMMI e outro de MPS-BR e por fim um com as melhores práticas do PMBOK. Descobri os Métodos Ágeis em 2009. Os resultados que obtive utilizando-os foram tão incríveis que resolvi adotar os valores e princípios ágeis não só na vida profissional, como também na vida pessoal. Nos últimos quatro anos, fui professor auxiliar no desenvolvimento do software Ágil na Universidade Federal do Rio de Janeiro e pai da Mari. Em 2015, tornei-me o Gerente de Desenvolvimento de Software no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Ao longo do tempo, percebi que tinha adquirido algum conhecimento e experiência interessantes na adoção de Ágil. Alguns colegas me chamaram para atuar como Agile Coach na K21, gostaram dos resultados e, desde então, me dedico a essa nova carreira.

3 Comments

  1. […] Métricas: Como medir seu time ágil em Eficácia, Eficiência, Qualidade e Atmosfera […]

  2. […] dos seus clientes / usuários há uma reação ao seu produto. Há um impacto no negócio e suas métricas, novas ideias surgem, altera-se o comportamento das pessoas com relação ao problema que o […]

  3. […] deve ter claro quanto falta para ele atingir seu objetivo e completar sua corrida. Existem diversas métricas ágeis que comentamos neste post e como elas podem ajudá-lo a tomar melhores decisões. Também escrevemos algumas métricas que […]

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