Existe um cenário engraçado quando falamos da palavra “burocracia” nas empresas. Infelizmente, para a maioria delas, burocracia é uma palavra odiada, remete quase tanto ódio quanto a palavra “política”.

Mas é importante termos a consciência que burocracia é um modelo de custo de coordenação inevitável em empresas que, ao crescerem, precisam de mecanismos para se coordenar e alinhar prioridades, ações, planos etc.

Assim como a política faz parte do nosso dia-a-dia (quem nunca tentou vender uma ideia para um grupos de amigos? ), a burocracia também é inerente ao nosso cotidiano.

O que precisamos fazer é delimitar claramente o que é política (arte e ciência saudável no convívio entre os seres humanos) e o que é politicagem (essa sim deve ser combatida). Dessa forma precisamos também entender que algum nível de burocracia existirá. O que estamos em busca é manter apenas a burocracia “necessária” para o contexto.  De forma a penalizar da menor forma possível os indivíduos e sistemas que a ela se conectam.

Mas o que a governança puxada ou empurrada tem a ver com isso? TUDO!

Mecanismos de governança são na sua essência custo de coordenação, ou seja, formas de expressão da burocracia. Na maior parte das empresas,  temos uma área de compliance/governança/gestão que é a única responsável por definir e controlar como cada uma das outras áreas da empresa deve atuar e cabe a ela ser a “policial” da moral e bons costumes em relação a essas políticas pré-definidas.

O problema nesse modelo empurrado acima?
Raramente as áreas são envolvidas na construção deste modelo de governança e não conseguem tangibilizar o porquê determinados artefatos ou controles são usados. Desta forma, temos uma governança que não sofre melhoria contínua do seu maior cliente! Que é quem a utiliza no dia-a-dia. 

Por que mecanismos de governança puxados?
Porque eles permitem um maior foco nos problemas de compliance/governança que precisam ser resolvidos. O grande desafio é criarmos na empresa a Burocracia Mínima Viável (MVB – Minimum Viable Bureaucracy). De maneira puxada conseguimos provocar muito mais a melhoria contínua desses processos. 

Como analogia, gosto muito de usar a imagem feita pelo Klaus Leopold em seu site como forma de conectarmos os fluxos na organização.

Num próximo post entraremos um pouco no como fazer para montar essa MVB, aguarde