Eu acho que… Os riscos do achismo em projetos

Você já começou um projeto com a certeza de que ele não daria certo, mas o chefe mandou e valeu aquela máxima de “manda quem pode, obedece quem tem juízo”? Já desenvolveu um produto / serviço em que durante a construção todos sofriam de um otimismo infundado e quando foi entregue os resultados não apareceram?

Meme: John Travolta procurando os resultados do projeto sem achar

Abaixo escrevo 5 situações que você pode cair se você não utilizar métricas para tomadas de decisões.

Hippo – O peso do crachá

A situação é a seguinte: Momento de priorizar projetos e você e todo o seu time têm certeza que a opção A era a melhor opção, mas como tinha um diretor (ou alguém superior na hierarquia) acabamos com a opção B escolhida por ele? Esse é o famoso Hippo do Inglês Highest Paid Person Opinion, em tradução livre: Opinião da Pessoa Mais Bem Paga. Em outras palavras, sem dados e fatos, vale mais a opinião da pessoa que está em uma posição mais alta da hierarquia da empresa.

Na imágem aparece um time inteiro optando pela opção A e apenas um hipopótamo sozinho ignorando o time e optando pela opção B.

Imagem original de Tom Fishburne com uma pequena modificação para refletir o cenário mais comum: sem métricas.

Hippo War – Quem grita mais alto

Se não temos números vale a opinião do Hippo, mas quando temos vários Hippos gritando suas prioridades para o time. Exemplo: Diretor de Marketing dizendo que temos que fazer o projeto A, Diretor de Operações solicitando que o projeto B, Diretor de TI indo diretamente ao time e falando que o projeto C é essencial para a empresa e por aí vai.

3 Hipopótamos de boca aberta como se estivessem um brigando com o outro.

O Time vai dançando conforme quem grita mais alto. Como em um grande show de Axé Music, vai de um lado para o outro sem saber qual estratégia está seguindo. Muita coisa começa, poucas terminam e ganha força o sentimento de “O que que estou fazendo aqui?”

Grande multidão em um show musical indo de um lado para o outro.

Como em um grande show de Axé Music, o time vai de um lado para o outro seguindo a “estratégia” de quem grita mais alto.

Vou quebrar a internet!

Saindo um pouco do contexto de empresa e projetos e indo para as redes sociais. Em algum momento você já escreveu aquele post no Facebook, Linkedin, Instagram ou Whatsapp e pensou: “Cara, esse post vai quebrar a internet! Com certeza vai se tornar viral. Já vejo os jornais comentando minha postagem. É o Ultimate Great Huge Post of The Century”. Aí você publica e… Nada acontece. Nem uma curtidinha.

Seu celular vibra, uma notificação. Alguém fez um comentário. Você fica eufórico, é aquele seu melhor amigo. Você pensa: sabia que meu super brother entenderia. Entusiasmado você clica na notificação só para ler o comentário que diz: 👍

Puxa vida, você tinha certeza de que esse post seria um estouro e ninguém ligou. Pois é, muitos projetos são escolhidos apenas com base no feeling de que darão certo. Levam meses ou anos para ser produzidos e quando entregues, geram baixíssimo retorno e provavelmente um 👎 de diretores, presidente e investidores.

Meme do Chico Boarque com a cara feliz e o dizer início do projeto. E na sequência ele com a cara séria com o dizer Fim do Projeto

No início do projeto, otimismo infundado. No final, frustração concreta.

Intuição

Donald Reinertsen em seu livro The Principles of Product Development Flow sugere que façamos a seguinte pergunta em reuniões de priorização de projetos: Quanto custaria à empresa, no resultado antes dos impostos, se atrasasse em 60 dias a entrega de um projeto para o mercado? Ele descobriu que as pessoas, utilizando apenas a intuição, variam em até 50 vezes esse valor. Isso significa que em um mesmo grupo, para um mesmo projeto, algumas pessoas dirão que o impacto será de $10.000,00 e outras dirão que será de $500.000,00.

Em um vídeo mais recente ele informa que no melhor caso a variação foi de 10 vezes e no pior 200 vezes.

Utilizar a intuição como meio de escolha de produtos não é uma boa ideia, pois perspectivas diferentes irão sugerir consequências diferentes se não tiverem no que se embasar.

Arcar com as consequências

O projeto foi priorizado com base em intuição e sentimentos, construído, entregue e teve um retorno baixíssimo. Se utilizamos ciclos curtos de experimentação e validação e descobrimos essa situação em semanas, serve de aprendizado, evitemos esse tipo de decisão e sigamos em frente.

Agora, se levou meses ou anos para descobrirmos que o produto ou serviço é inadequado para o mercado, teremos que arcar com as consequências:

  • Como pagar pelo prejuízo?
  • Reduzir o time / a empresa (demissões).
  • Quem é o culpado pelo fracasso (Caça às bruxas)?

Podemos desconsiderar as métricas na priorização, desenvolvimento e até mesmo na entrega, mas chega um momento em que elas não podem ser mais ignoradas. Ou os clientes compram nosso produto / serviço ou não temos como pagar as contas. Olhar para os números tardiamente é desastroso.

Saindo desse imbróglio com métricas

“O verdadeiro empoderamento do time está nas métricas”
(Rodrigo de Toledo)

Ao invés de entrar em uma sala de reunião munido apenas de “Eu acho…”, tenha métricas que comprovem que realmente há um problema de negócio que deve ser resolvido pela nossa empresa e a solução que estamos optando é a que melhor resolve esse problema.

Além disso, as métricas não servem apenas para tomar a decisão de priorização. Devemos acompanhá-las durante todo o tempo para sabermos o quanto já resolvemos do problema. Tal como um maratonista que tem como objetivo correr os 42 Km de uma maratona. Nosso time deve ter claro quanto falta para ele atingir seu objetivo e completar sua corrida.
Existem diversas métricas ágeis que comentamos neste post e como elas podem ajudá-lo a tomar melhores decisões. Também escrevemos algumas métricas que devem ser evitadas para não intoxicar o ambiente da sua empresa,

Quer saber mais sobre métricas, quais são, como funcionam e como equilibrá-las, participe do nosso treinamento de Métricas Ágeis e acompanhe este blog para mais novidades.

Por |2018-10-05T16:35:39+00:005 de outubro, 2018|Gestão, Negócio, Product Owner|

Sobre o Autor:

Eu sou um desenvolvedor de software que passou por todas as etapas de TI. Comecei em 1998 com a manutenção de microcomputadores. Em 2000, tornei-me um programador e, desde então, desempenhei o papel de desenvolvedor, analista de sistemas, gerente de projeto, Scrum Master, Product Owner, gerente funcional e Agile Coach. Também vivi diversos modelos de desenvolvimento de software. Comecei com o cascata (programadores e analistas em salas separadas), participei de dois times de implantação de RUP, um de implantação de CMMI e outro de MPS-BR e por fim um com as melhores práticas do PMBOK. Descobri os Métodos Ágeis em 2009. Os resultados que obtive utilizando-os foram tão incríveis que resolvi adotar os valores e princípios ágeis não só na vida profissional, como também na vida pessoal. Nos últimos quatro anos, fui professor auxiliar no desenvolvimento do software Ágil na Universidade Federal do Rio de Janeiro e pai da Mari. Em 2015, tornei-me o Gerente de Desenvolvimento de Software no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro. Ao longo do tempo, percebi que tinha adquirido algum conhecimento e experiência interessantes na adoção de Ágil. Alguns colegas me chamaram para atuar como Agile Coach na K21, gostaram dos resultados e, desde então, me dedico a essa nova carreira.

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