Olhando o mercado, o papel de Product Owner é, disparado, o mais difícil de encontrar profissionais robustos e capacitados. Quando eu fiz a certificação de Scrum Product Owner lá em 2014, o Marcos Garrido, um dos fundadores da Knowledge21, falou algo que nunca esqueci: “se você encontrar um bom PO, mesmo sem ter um produto para dar pra ele, contrata e segura o cara”.

Quando abordamos os quatro domínios da agilidade, sempre reforçamos que o ágil é um bichinho de quatro patas: se uma patinha está manca, o bichinho capota! Portanto, todos os domínios são igualmente importantes, mas quando estamos tratando deste assunto, sempre começamos falando do domínio de Negócios. Ele é o primeiro que abordamos porque traz o propósito da empresa e do produto. Ele determina o que será sucesso para aquela iniciativa, e tem como objetivo nos dar um norte de eficácia.

Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades

É por isso que ter um PO despreparado pode ser tão nocivo. Podemos ter o melhor time do mundo, com um clima ótimo; processos fluidos que apoiam e suportam a criação de um produto e o trabalho da organização; práticas state of the art no quesito técnico, com as melhores ferramentas… E ainda assim estarmos criando algo que ninguém quer, ou que sequer faz sentido.

Mas de onde vêm os POs? Como saber se você tem o perfil ou a vontade de ser PO? Para ajudar pessoas que têm essa dúvida, vamos usar uma técnica criada pelo Rafael Sabbagh, chamada É/Não é/Faz/Não Faz:

Product Owner É Não é Faz Não Faz

O que um PO é:

  • Questionador
  • Curioso
  • Empático
  • Comunicativo
  • Apaixonado
  • Bom negociador
  • Um cientista
  • Apegado a métricas
  • Transparente e verdadeiro

O que um Product Owner não é:

  • Um chefe
  • Um gerente de projetos
  • Um proxy
  • Irresponsável com o investimento em um produto
  • Um outro papel (gerente, analista de área etc)
  • Mestre dos magos (some depois da Planning e aparece na Review)
  • Omisso
  • Homologador
  • Aprovador de entrega

O que um PO faz:

  • Busca descobrir qual é o problema que estamos tentando resolver
  • Levanta hipóteses de solução para o problema junto com o time (obrigada, Auri!)
  • Fatia itens de backlog como um sushiman
  • Descarta itens de backlog que não fazem mais sentido para a realidade atual do produto
  • Prioriza os itens de backlog de forma a maximizar o valor do produto
  • Pesquisas com clientes/usuários
  • Experimentos
  • Metrifica resultados
  • Estuda o mercado
  • Define estratégia do produto
  • Controla o investimento/orçamento
  • Gestão de relacionamento com stakeholders
  • Dinâmicas de consenso e priorização com stakeholders
  • Alinha os stakeholders em relação ao retorno sobre o investimento
  • Refinamentos com os stakeholders
  • Refinamentos com o time
  • Dá apoio nos refinamentos técnicos do time
  • Esclarece para o time o valor que cada item no backlog agrega
  • Enriquece os itens de backlog usando técnicas como histórias de usuário, 3Cs, INVEST e job stories
  • Mapeia e compreende a experiência do cliente
  • Descoberta contínua
  • Motiva o time com um propósito fantástico
  • Fica disponível para o time durante a sprint
  • Ajuda o time a definir um objetivo para a sprint
  • Cancela a sprint quando o objetivo não faz mais sentido
  • Dá feedback para o time
  • Melhoria contínua

O que um Product Owner não faz:

  • Status report
  • Controle de ocupação
  • Microgerenciamento
  • Priorização sem métricas
  • Pressão sobre o time
  • Repassa necessidades e demandas dos stakeholders
  • Prioriza atividades que não têm a ver com o produto
  • Incentiva o time a ser tarefeiro
  • Falta nos eventos do time (planning, review, retro)
  • Documentação extensa
  • Busca culpados
  • Contrata ou demite membros do time
  • Gestão do time
  • Descobre o que foi entregue durante a Review
  • Omite problemas

Sou … e PO nas horas vagas

Costumo dizer que se o PO estiver fazendo bem seu trabalho, ele não tem tempo livre. Vemos em algumas empresas uma crença de que o PO só “escreve as histórias do backlog”, o que cria uma impressão que o PO tem tempo de assumir outras atividades. Isso não é realista. Se o PO está com tempo livre para assumir outras atividades, é porque há alguma atividade do produto que ele certamente está deixando para trás.

Além disso, o PO deve estar estudando o tempo todo. Tanto para trazer novas técnicas de produto, gerando melhoria contínua na sua atuação, como estudando o mercado, o consumidor e os problemas que ele está buscando resolver, gerando melhoria contínua no produto.

#ficadica

Se você está começando nessa jornada e quer material para ler, vale a pena dar uma olhada neste artigo aqui.

Mais conteúdos sobre Product Owner:

E-book: Epicentro – A arte de começar pelo que mais importa
Artigo: O trabalho de FDP do Product Owner
Artigo: Pensando produto e evitando armadilhas

E aí? Se identificou? Venha fazer o CSPO e aprender as principais ferramentas do PO em um curso prático.

Viu algum item que você acha que ficou faltando no É/Não é/Faz/Não faz? Deixa aqui nos comentários!